São João é engraçado, tem balões, martelinhos mas… Não é o maior!
O maior é, sem dúvida alguma, o São Pedro. Se houvesse um Rocky baseado em Santos Populares, Santo António seria o Captain Ivan Drago, São João seria o Apollo Creed e, com toda a certeza, que o underdog, o Santo que subiria as escadas com um fato de treino duvidoso e no fim ganharia todos os combates seria o São Pedro.
Mas do São Pedro falarei mais tarde, agora vou-me cingir ao São João e aos seus prós e contras.
Este ano, tive oportunidade de celebrar o São João em Vila do Conde. Fugindo do principal local de celebração deste Santo Popular, o Porto. No Porto, este Santo, acarreta uma caminhada interminável de cariz mariano e uma incomportável dose de traulitadas de martelos. Em Vila do Conde, basicamente, é uma seca mas ao menos não coloca em perigo a saúde.
Este é o principal o adereço (contemporâneo) necessário para estar enquadrado dentro do espÃrito da festa.
Sem ele, somos olhados de canto, passam-nos o atestado de caretas e pessoas sem sentido de humor. É como levar uma camisa com padrão escocês para o baile branco, da Casa do Castelo no Algarve, durante o Verão. É algo que a etiqueta reprova. Se o próprio, foi decapitado e queimado vivo e é o patrono da festa, fará àqueles que apenas o seguem.
Como participar no São João e não usar o martelo e, respectivamente, não levar marteladas?
Simples, a receita é:
-Gaze q.b.
-Algodão
- Ketchup q.b.
- Sombra para os olhos
Misturar bem estes componentes, improvisar e, no fim, o resultado será mais ou menos este:
Se o resultado final for este, a receita resultou na perfeição. Com este aspecto toda e qualquer martelada será evitada, a não ser que estejamos na presença de uma criança caxineira, alimentada em excesso com farturas e churros, que lhe provoque uma hiperglicemia e consequentemente uma hiperactividade violenta, capaz de lhe fazer martelar o mais inocente e aleijado das pessoas.
Contras: É um pouco incómodo e no caso de sermos daqueles aventureiros que gostam de saltar fogueiras, convém lembrar que este material é bastante inflamável e, como tal, se calha de tropeçarmos e cairmos de tromba na fogueira o resultado pode ser catastrófico.
A favor:: Para além de prevenir as marteladas, a gase também absorve boa parte dos cheiros. Como todas as celebrações populares as ruas emanam um cheiro nauseabundo a sardinha grelhada, óleos, Rio Ave (no caso de Vila de Conde), urina de bêbados (caso do Porto).
Também previne salpicos de óleo quente enquanto esperamos que o senhor gorduroso, que serve as farturas, nos dê a nossa dose de açúcar responsável para aguentarmos tanta animação.
Por falar em farturas, que raio de roulottes são aquelas?
Será que a melhor maneira de chamar atenção das pessoas é desviar 3 quartos da electricidade de uma cidade pequena para alimentar aquela amálgama de luzes florescentes?
Não me parece! Como se vê no exemplo apresentado pela imagem, nos anos 50 as roullotes tinham pouca luz mas continuavam a ter pessoas?
Porque raio é preciso provocar um ataque epiléptico e um ataque de foto sensibilidade para se atrair clientes?
-“Porra o cheiro a fritos não é suficiente, logo convém artilhar isto como um pirilampo gigante e mutante e fazer com que as pessoas se comecem a sentir tontas de tanta luz”
O dono desses estabelecimentos pensam assim. Só pode, não existe nenhuma outra explicação racional para explicar tamanhos gastos de energia inúteis.
E por falar em gastos inúteis…
Que raio de fogo de artifÃcio é aquele? Supostamente seria coordenado com música. Mas eles bem tentavam mas não me parece que João Pedro Pais seja fácil de coordenar. Primeiro porque o próprio autor carece de coordenação auditiva, segundo porque a música desse pequeno trovador não me parece minimamente épica para ser celebrada com pirotecnia colorida.
Andam pessoas a ficar sem bracinhos em fábricas, sem condições de trabalho, para depois verem o seu suor e membros espalhados pelo vento acompanhados ao som dessa enfadada música.
Não faz sentido gastar rios de dinheiro em foguetes.
Se fosse um belo espectáculo de pirotecnia, por exemplo – Aquamatrix – na Expo 98, fazia sentido. Agora meia dúzia de minutos carregados de foguetes que apenas variam na cor é algo que, se fosse um munÃcipe, de Vila do Conde me revoltaria. A decoração luminosa parecia saÃdo da mente de um piquete da EDP, não tinha criatividade nenhuma, mas agora gastar dinheiro em cores de foguetinhos para explodir no céu, arre… Toca a tostar dinheiro dos contribuintes.
Mas nem tudo é mau… Um amigo ainda ficou mal disposto com 7 churros na barriga e estava a fazer uma cara, no mÃnimo, divertida. Nem tudo pode ser mau…









