
Encerrados três sites portugueses de partilha de ficheiros
Fonte: Público
A Polícia Judiciária às vezes é chatinha. As prioridades estão um pouco trocadas.
Não vou discutir a legalidade da acção mas, às vezes, concentrar esforços em assuntos mais importantes talvez fosse algo mais prioritário.
Não vou alinhar pelo discurso mais fácil, aquela entrevista realizada num Mercado Municipal ou a um velhinho ressabiado, de dizer que os verdadeiros ladrões eles não apanham.
Todos reconhecemos o mérito da nossa Judiciária, apreensões históricas a nível regional e mundial no caso das drogas e dinheiro falsificado, respectivamente.
Nem sou muito de alinhar em teorias da conspiração mas este encerramento compulsivo cheira-me a pressão de vários sectores interessados em conservar os seus preciosos lucros. Editoras discográficas, Distribuidoras de filmes todas concentram esforços em atingir o alvo mais fácil, o utilizador comum, que apenas usufrui da Internet para seu proveito próprio, dispensando de todo fazer dinheiro com a troca de material com direitos de autor.

Sou o primeiro a admitir que faço downloads (muitos!!!) e nunca tirei nenhum proveito desses downloads que não fosse, apenas (!), o enriquecimento cultural. Não acrescentei um cêntimo que fosse à minha conta bancária graças a esses downloads.
Tony Benn: Keeping people hopeless and pessimistic – see I think there are two ways in which people are controlled – first of all frighten people and secondly demoralize them.
Tony Benn: An educated, healthy and confident nation is harder to govern.
Sem eles a minha bagagem cultural seria bem mais pobre, a conversa de café seria mais fraca, a vida perderia algum sentido.
A perseguição da polícia deveria ser efectuada sobre as elevadas margens de lucro dos principais visados. Eles é que usufruindo de margens de lucro absurdas é que podem comportar comprar tudo aquilo que queremos ouvir, ler e ver.
Os músicos, cineastas, actores, realizadores e etc, deviam importar-se mais com os conteúdos e menos com fazer parceria de guerrilha com os seus patrões.
Aqueles que mais alto levantam as vozes, são aqueles que mais dinheiro obtiveram graças a essas margens de lucro.
Os que estão no início, os “pobres”, para cimentar a sua posição, agarrar o grande público com ideias inovadoras, revolucionárias e, acima de tudo, com qualidade, precisam de se enriquecer culturalmente. E isso só pode acontecer usufruindo dos conteúdos da internet.



