Arquivos Mensais: Agosto 2007

Is everyone afraid?
Is everyone ashamed?
They’re running towards their holes to find out
Apocalyptic means are lose among our dead
A message to our friends to get out
There’s wages on this fear
Oh so clear
Depends on what you’ll pay to hear

They’re bound to kill us all in whitewashed halls
Their jackals lick their paws

Please don’t stop it’s lonely at the top
These lonely days when will they ever stop?
This doomsday clock ticking in my heart
Not broken

I love life every day
In each and every way
Kafka would be proud, to find out
I’m certain of the end
It’s the means that has me spooked
It takes an unknown truth to get out
I’m guessing I’m born free, silly me
I was meant to beg from my knees

Please don’t stop it’s lonely at the top
These lonely days when will they ever stop?
This doomsday clock ticking in my heart
These lonely days when will they ever stop?

We gotta dig in
Gas masks on
Wait in the sunshine, all bug-eyed
If this is living?
Sakes alive!
Well then they can’t win
No one survives

Is everyone afraid?
You should be ashamed
Apocalyptic screams mean nothing to the dead
Kissing that ‘ol sun to know all there is
Come on, last call
You should want it all

Ah, it’s lonely at the top
These lonely days when will they ever stop
This doomsday clock ticking in my heart
These lonely days when will they ever stop
This ticking in my heart
Is everyone afraid?

Smashing Pumpkins – DoomsDay Clock (Zeitgeist, 2007)

Dá-me confiança no andar esta música, apesar da letra claramente revestida de uma mensagem política, estou mais abstraído com o som que debita dos phones do iPod.
É muita força na bateria, é aquela rockalhada que nos muda o andar, provoca torcicolos e faz com que exista um síndrome de Parkinson evidente, aquele tremelicar das pernas de quem pensa que é baterista.

Eu passo e as velhinhas exclamam: “É drogado… Ui… Barulheira… Tolinho“.

A vila

Ivy Walker: [after Noah hands her some red berries] Oh, berries! What a splendid present!
Lucius Hunt: Be cautious. You are holding the bad color.
Ivy Walker: [becomes worried, covers the berries with her hands] This color attracts Those We Don’t Speak Of.
[Turning to Noah]

Extracto de um diálogo entre Bryce Dallas Howard e Joaquin Phoenix no filme: A Vila

Que ligação existe entre este filme e os The White Stripes?

(Quem responder correctamente será o feliz contemplado com um melão da mercearia Avelino)

Sandevid

Mas que pouca vergonha é esta??
Garrafas de plástico a substituir o velho garrafão de vinho tinto nas praias??
Mas será que tudo enlouqueceu??
Nada faz mais sentido?

Garrafão Tintole

A nossa identidade nacional também se identifica através destes pequenos rituais. O cheiro a frango cozinhado na praia e, depois, velhinhos a forçarem os bicos de papagaio, enterrando as perninhas na areia a trazerem o bom garrafão de vinho.
5 litros. Não é litro e meio como anunciam este espanhóis.
Onde já se viu, a nossa terceira idade, a nossa terceira idade, vergada ao populismo do plástico, da ergonomia e das pequenas quantidades e sem açúcar.
Impensável!!!

Acidente Construção Civil

Acordado pela vizinha de cima, pancadas fortes na porta e gritos a dizer: “Abra, Abra por favor, houve um acidente”.

Saio da cama acompanhado da beleza e esplendor da minha roupa interior, abro a porta. Passam-me um telemóvel para a mão e pedem: “Fale com eles menino, você percebe” . Ainda a bocejar, a perguntar-me num centésimo de segundo, do que é que eu percebia alguém do outro lado da linha pergunta: “Você já está perto da vítima??“.
Por momentos ainda pensei responder, no meio de toda a estranheza de quem acaba de acordar, que não. Ainda não estava perto da vítima, não vi o holofote apontado no céu, não tinha nenhum cabine telefónica por perto para mudar de roupa. Respondi seriamente e calmo: “Não me encontro perto da vítima, mas já me encontro a caminho”. Enquanto pronuncio a palavra caminho, já me encontro no meio de escombros de uma obra em construção, com pedras afiadas a furarem-me os dedos, poeira e sol, muito sol, para elevar o meu nível de alerta.
Soterrado no meio de escombros, o Senhor José encontrava-se imobilizado, um corte profundo na zona do crânio… A voz do outro lado da linha pergunta-me: “O senhor já chegou?”
Respondo que sim, faço a descrição mais pormenorizada da minha vida, desde o estado da vítima até doenças pré-existentes e alergias.
A senhora do INEM, calma e competente, depois pergunta-me para meu espanto: -O Senhor é médico?
-Não! (ainda não)
- Pois bem que poderia ser, a ambulância já vai a caminho.

Inem

Depois de desligar, fico com o meu staff clínico de ocasião, 4 senhores a obedecerem-me cegamente. Se fosse do mercado negro de órgãos, eles a esta hora, não estavam tão contentes.
Retiro o cinto de ferramentas do Senhor José, grito para não lhe tocarem, nem mexerem em nada. Faço pressão na ferida, o Senhor José queixa-se, mantenho o senhor de 55 anos acordado, de preferência calmo e confiante, como convém.
Entretanto a ambulância chega, mal a enfermeira sai e começa a encaminhar-se, ainda distante grito e peço por um colar de imobilização cervical e o plano duro.
Não sei porquê, ela obedece-me e volta para a ambulância para o ir buscar.
Dou-lhe o espaço e a ajuda enquanto mantenho a pressão na ferida. Depois de colocado o colar cervical e o plano duro e à minha contagem, o meu 1, 2, 3, levantamos o senhor José. Ainda debaixo do meu comando (não me perguntem porquê), colocamos o senhor na ambulância e por decisão própria decido que é altura de das espaço, apesar de as portas da ambulância já se encontrarem fechadas e o só estarmos lá dentro eu, vítima, enfermeira e bombeiro.
Quando saio as mesmas pessoas que me olham de canto, vá-se lá saber porquê. Os vizinhos que nunca me dirigiram uma palavra, perguntam-me coisas, discutem, ficam espantadas. Isto tudo rodeado de mil vozes, cada uma com a sua teoria, cada uma com uma versão original e com direitos de autor sobre tudo aquilo que aconteceu.
Os ânimos exaltam-se porque a ambulância não parte e pela décima vez, garanto que estão à espera de estabilizar a vítima e do médico do INEM. Algo na explicação não os convence e reclamam, reclamam muito… No tempo deles era mais rápido, a ambulância já deveria ter saído. O governo era outro e no estrangeiro é que se está bem. Só faltava um coro de assobios e pedirem um livro de reclamações.
Se as ambulâncias o tivessem (livro de reclamações), enquanto se reanimava alguém ou se estabilizava um paciente, haveria sempre, mas sempre, um entendido a preencher uma queixa, a reclamar com alguma coisa.
No meio de tudo isto, ao fundo, já se viam capacetes de protecção nos senhores das obras, o capataz já fazia inúmeros telefonemas, quiçá na tentativa de, no mais curto espaço de tempo, legalizar a obra, colocar andaimes e esconder a mão de obra ilegal. Existem prioridades. O senhor José não era, o Senhor José por altura do almoço já se encontra perdido nas 4 garrafas de Cristal que bebem… Não custa nada.

-O Senhor é médico?
- Pois bem que poderia ser, a ambulância já vai a caminho
.

vocação

do Lat. vocatione

s. f.,
acto de chamar;
inclinação ou propensão natural para um estado ou profissão;
predestinação;
escolha, talento.

Modéstia à parte, é claro!