“Querem acabar com a favela,
aonde é que o pobre vai morar?
Mas eles têm de dar um jeito,
na rua nós não podemo ficar!”

E eis que a Parkinson de comando na mão compensa. Quando o treme treme dos dedos nos botões encalha num documentário deste calibre, o sintoma passa a reflexo. Despretensioso, directo e honesto passava, ao fim da tarde, no National Geographic.

Surfing Favela mostra até onde chega o poder do surf. Por entre pobreza, traficantes e polícia a câmara atravessa o lugar comum do “país do futebol” e mostra que até um desporto que era considerado elitista passa a ser disponível quando – “playboyzinho dá prancha usada pranós”, “troco videogame por prancha” .

Sem culpar governo, polícia e/ou traficantes passa a mensagem sem polémica, chama atenção apenas pró mérito que é pegar numa comunidade dilacerada e o mérito que existe em uni-la em prol de uma causa que beneficia, não só, o aspecto social como o bem estar físico das comunidades de Cantagalo e Rocinha.

E apesar do apelo ser universal, as características do povo são singulares e únicas. Até no caminho para a praia, de prancha pesada e velha na mão, as mãos ecoam, por entre as ruelas, batuques improvisados com retoques de parafina dando a mística do povo brasileiro à mensagem que é, ou pelo menos deveria ser, internacional.






