Zapping do Bom

“Querem acabar com a favela,
aonde é que o pobre vai morar?
Mas eles têm de dar um jeito,
na rua nós não podemo ficar!”

Surfing Favela I

E eis que a Parkinson de comando na mão compensa. Quando o treme treme dos dedos nos botões encalha num documentário deste calibre, o sintoma passa a reflexo. Despretensioso, directo e honesto passava, ao fim da tarde, no National Geographic.

Surfing Favela II

Surfing Favela mostra até onde chega o poder do surf. Por entre pobreza, traficantes e polícia a câmara atravessa o lugar comum do “país do futebol” e mostra que até um desporto que era considerado elitista passa a ser disponível quando – “playboyzinho dá prancha usada pranós”, “troco videogame por prancha” .

Surfing Favela III

Sem culpar governo, polícia e/ou traficantes passa a mensagem sem polémica, chama atenção apenas pró mérito que é pegar numa comunidade dilacerada e o mérito que existe em uni-la em prol de uma causa que beneficia, não só, o aspecto social como o bem estar físico das comunidades de Cantagalo e Rocinha.

Surfing favela IV

E apesar do apelo ser universal, as características do povo são singulares e únicas. Até no caminho para a praia, de prancha pesada e velha na mão, as mãos ecoam, por entre as ruelas, batuques improvisados com retoques de parafina dando a mística do povo brasileiro à mensagem que é, ou pelo menos deveria ser, internacional.

Duetos – Passado e Presente

Vasculhando nos confins da memória, da minha memória, lembro-me sempre de um par de cantores que fazia vida e, muito raramente, canções.
De seu nome Kenny Rogers e Dolly Parton, lembro-os de passarem algumas vezes pela televisão. Apesar dos dotes conhecidos da senhora, passado este tempo todo, não me lembro dela como um elemento a solo e singular. Lembro-me sim da Dolly Parton e do seu conhecido comparsa de cantorias, o senhor Kenny “barba grisalha” Rogers. (optei por só fazer trocadilhos com o Kenny, qualquer trocadilho com a Dolly Parton seria simplesmente muito fácil.

Kenny Rogers Dolly Parton

O acesso a esta memória de infância, encarecidamente guardada pelo meu inconsciente, foi reavivada por um grupo de camponeses, Los Campesinos, e ao formato de duas vozes que muitas vezes dão às suas canções, neste caso no single de apresentação do seu último trabalho, Hold On Youngster.

Los Campesinos I
Los Campesinos II

O dueto, no verdadeiro sentido da palavra, esgota-se neste formato. No formato único dos Los Campesinos.
Funciona como se drenassem a cavidade torácica da senhora Parton (tentei não incluir nenhuma referência directa a mamas gigantes) e extraíssem os poderes místicos da barba do Kenny Rogers para dar energia a esta banda inglesa.
Este são os duetos do futuro, eléctricos e suados. Nada de implantes e roupas de cowboy da cabeça aos pés, apenas irreverência e alegria, como prova o seu último single (cantado a 2 vozes), Death to Los Campesinos.

O Prémio do Soldado

Soldado de Direita

Ainda esta semana me tinha referido ao Hugo como um brilhante soldado de direita, do PP em particular, e ele riu-se.
Mas é a mais pura verdade, após esta minha constatação acertada, tenho cada vez mais a certeza que este menino que se esconde debaixo da barba e de uma alimentação constituída, exclusivamente, de criancinhas [Palavras do próprio: “Que me deixaria de grandes superfícies que comem os livros ao pequeno-almoço (como os comunistas com as crianças)” ] é um projecto de Narana Coissoró.
Ainda está na fase da negação, ainda não admite que a barba e o blazer são etapas na transformação para um bronzeado de solário, cabelo à PlayMobile e dentes branqueados, Paulo Portas Style mas para lá caminha, assim mantenho a fé, neste meu soldado de direita que, graças ao seu artigo na Sexta, me fez regressar, tal como ele, ao quiosque para adquirir o Público.

Orgulhoso…

Dentes de Leite

Comprar instrumentos online à velocidade da luz, combinar ensaios pelo messenger, pais tolerantes e de mente aberta, uma crescente emancipação e uma vontade vampírica das companhias discográficas em descobrir novas e originais formas de chegar a novos públicos proporcionam o nascer de várias bandas cuja idade limite é estabelecida aos 18 anos.

Da fornada de bandas “dentes de leite” destaco os Operator Please e as Those Dancing Days.

Operator Please

Operator Please

Meninos e meninas australianas, que resolveram começar por lançar uma música que fala sobre Ping Pong, já foram acolhidos e levados ao estatuto de hype pela MTV2 e Zane Lowe, editaram o primeiro álbum este ano, Yes Yes Vindictive.

Those Dancing Days

Those Dancing Days

Meninas suecas de aspecto pueril, lançam um popzinho alegre e directo de fácil consumo. Brilharam nos principais programas suecos de televisão com as suas interpretações ao vivo e já conseguiram um contracto para lançarem um mini-ep e já têm agendadas várias datas para tocarem em Londres

Nomes sonantes como David Bowie e Zane Lowe já colocaram um selo de qualidade em cada uma delas, funcionando como padrinhos e desculpa para se poder gostar de bandas de miúdos. Porque isto de admitir que no iPod se ouve bandas de adolescentes exige coragem.
É sempre questionável, aos olhos dos outros, o que leva uma velha carcaça, como eu, a gostar destes miúdos. Mas se no caso dos Operator Please o motivo é perfeitamente inocente, baseado apenas na música, no caso dos Those Dancing Days o motivo pode ser mais obscuro e perverso.

Linnea

Vocalistas como esta menina, Linnea de seu nome, são a razão da origem de uma nova tribo social – o Groupie Pedófilo ou Rebarbado.
A inversão de valores e ideias pré-concebidas acontece quando nos concertos se pode começar assistir a uma nova falange de fãs, mais velhos muito mais velhos, a gritarem pelo nome das suas adolescentes favoritas e a cobrirem o palco de boxers e t-shirts caveadas em vez dos habituais ursinhos e sutiãs.
Sinais dos tempos…

Nos Píncaros do Romantismo

Barry: I’m lookin’ at your face and I just wanna smash it. I just wanna fuckin’ smash it with a sledgehammer and squeeze it. You’re so pretty.
Lena: I want to chew your face, and I want to scoop out your eyes and I want to eat them and chew them and suck on them.
[pause]
Barry: OK. This is funny. This is nice.

Sou mesmo um romântico inveterado. Eu e o João Pedro Pais não temos remédio.

World Press Photo- Vencedor Português!

Fotojornalista Miguel Barreira, do “Record” distinguido pela World Press Photo 2007 na área de desporto

O repórter fotográfico Miguel Lopes Barreira, do jornal “Record”, foi hoje distinguido com um prémio World Press Photo 2007, com a imagem do desportista Jaime Jesus numa competição de bodyboard na Nazaré.

De acordo com a fundação World Press Photo, que anunciou hoje os vencedores das melhores imagens captadas em 2007, Miguel Lopes Barreira ficou em terceiro lugar na categoria “Sport Action” com uma fotografia a preto e branco captada a 16 de Dezembro na Praia do Norte, Nazaré.

A imagem mostra o bodyboarder Jaime Jesus em suspenso no ar, prestes a cair num turbilhão de ondas no mar.

Em declarações à agência Lusa, Miguel Lopes Barreira disse ter ficado surpreendido com a distinção: “Não estava nada à espera”.

Fonte: Público

Miguel Lopes Barreira

Fotografia de Miguel Lopes Barreira, retirada do site http://www.worldpressphoto.org/

A Propósito de….Fotografia!

Bruce Gilden

What did you feel was lacking from the photographs you’d seen?
A photo either works or it doesn’t. And if it doesn’t it could be really horrible or it could be mediocre. That’s a dialog that for me doesn’t even need to be discussed because you see that it’s good or it isn’t. I’m not saying that everyone has my vision or my eye, but I’m pretty versed in what makes a good image.

Quote “I’m known for taking pictures very close, and the older I get, the closer I get.” : Bruce Gilden

Bruce Gilden Portfolio
Bruce Gilden
JAPAN. Tokyo. Shinjuku. JR station morning rush hour. 1996.

Bruce Gilden Portfolio II
Bruce Gilden
JAPAN. Tokyo. 1999. Injured homeless man lies in the middle of the street.

Bruce Gilden Portfolio III
Bruce Gilden
USA. New York City. 1990.

Bruce Gilden Portfolio IV
Bruce Gilden
IRELAND. Bookie eating dinner at Naas racetrack. 1996.

Todas as fotos por Bruce Gilden, Magnum Agency. Portfolio online