A salada com assento marcado!

“Quem não vence, não consegue triunfar.(…)

(…)A palavra humana já devia ter um fundamento de seriedade(…)

(…)Vivemos numa sociedade light!!!!”

Excertos do sermão do padre Torres às pobres almas que fizeram da pseudo fé cristã uma etapa até ao copo-de-água.

… “Sociedade light”.
Light? LIGHT?!?!

Light, livre do peso do pecado? Sem calorias? Magra? Própria de quem conta calorias, fazendo a soma entre glícidos, proteínas e lípidos… ?
Corre rápido o raciocínio, numa passada à Carlos Lopes, até longe, até ao Brasil!
A célebre conotação entre light e a Joana, faz da sinapse um momento, um milésimo de segundo que separa Portugal e um casamento da Joana Bibedum.

Conta-se quem está, quem marca presença entre os bancos de igreja e as mesas da quinta que recebe a festa. Estreitam-se os laços com quem se convive, sente-se a falta de quem está longe.
Dança-se com quem se sente, com quem é palpável e existe ao tacto. Fala-se com quem está perto, que dista apenas do alcance da voz. Mas sente-se a falta de quem não pode ouvir, a quem a palavra não chega, não atravessa oceanos e quilómetros.

Louvo Bell, Alexander Graham Bell, que encurtou a distância entre quem se sente e a quem se sente a falta.
Que no meio da azáfama, entre o encher do estômago e a gritaria de “Vivam os noivos”, possibilita a cura da saudade.

Apesar da longitude diferente, apesar do intervalo que separa as vozes de quem gosta de ti e o teu brado, mergulhado em soluços, o lugar estava marcado.
Reservado em tons de verde, da salada que te caracteriza, o lugar na mesa foi criado por antecipação e só depois registado.
Porque quem é importante, marca.
Marca presença na memória e no coração, chega a ser tão forte que abre espaços entre cadeiras e talheres e coloca-se, entre nós, no seu espaço.
No espaço que sempre foi teu, que sempre será teu. Na mesa, no coração!

Para ti, Joana “Figueiredo-Fotossíntese-Bibedum”, aqui fica a homenagem do casamento que foi imperfeito, apenas porque não marcaste presença.

Ofuscar é pecado?

Pegando no post anterior e transformando-o em exemplo, para explicar esta teoria, teríamos os seguintes protagonistas:

Beth Ditto – vocalista da banda The Gossip, passa para segundo plano os restantes elementos: Brace Paine (guitarra e baixo) e Hannah Blilie (bateria).
É questionável perguntar se é um acto propositado, na minha opinião, não passa da consequência directa da forma expansiva de dar um concerto. Sendo esse o caso, o veredicto é de fácil conclusão: Inocente.

Mas… e quando ofuscar os restantes elementos da banda se processa desta maneira?



-Será propositado?

Durante o solo de guitarra tudo aponta que sim mas depois o rapaz volta ao normal.
Será consequência dos estridentes agudos da vocalista, que provocam no pobre baterista esgares e trejeitos de dor?
Não, mesmo quando ela não canta ele contorce-se como se esperasse um ataque epiléptico ao virar da esquina.

O que é certo é que ofusca, arrasta para a penumbra do esquecimento a música e os restantes elementos da banda mas perpetua para a eternidade a maior barrigada de riso dos últimos tempos.

The Gossip – Live In Liverpool

Enquadrada pela moldura de uma caixa de cd. Emoldurada em cada exemplar fica a prova, a evidência da brutalidade com que se vive os concertos dos The Gossip actualmente. É a prova física que perdura, se lhe prestarmos homenagem sob a forma da “t-shirt-que-usei-no-concerto-deles”. Ficará sempre na memória mas caso ela falhe, caso ocorra a pergunta : -“então como são eles ao vivo?”, pegamos no cd e, imediatamente, chega até nós o resultado incontestável da energia que se sente em cada concerto.

Do alinhamento do cd/dvd lançado esta semana constam:

* “Eyes Open”
* “Yr Mangled Heart”
* “Swing Low”
* “Are You That Somebody?”
* “Fire/Sign”
* “Coal To Diamonds”
* “Jealous Girls”
* “Keeping You Alive”
* “Don’t Make Waves”
* “Yesterday’s News”
* “Standing In The Way Of Control”
* “Listen Up”
* “Careless Whisper”

Corajosa a escolha da cidade que acolheu este espectáculo. Conhecida por ser a terra dos Beatles, Liverpool passou também, depois da ousadia de Ditto e companhia, a representar, para as gerações mais recentes, a cidade que acolheu o primeiro concerto gravado em formato DVD da banda norte-americana.
As covers dos Wham!’s com “Careless Whisper” e Aaliyah’s “Are You That Somebody?” revelam que convencional não é propriamente a palavra mais certeira para descrever as opções destes meninos.
E fica assim testemunhado na minha bela t-shirt (95% algodão, 5% poliéster)que capas de álbuns devem ser feitas por designers, mas neste caso, recorrer a memorabilia de concerto para expressar uma ideia também resulta na perfeição.

Rita Carmo – O exemplo a seguir…

Rita Carmo I

Rita Carmo II

Rita Carmo III

Rita Carmo IV

Rita Carmo V

Todas as fotografias da responsabilidade de Rita Carmo. Fotos retiradas de http://www.ritacarmo.blogspot.com/

Muitas vezes olhamos apenas para fora, vasculhamos no estrangeiro por exemplos que possam servir de inspiração para uma carreira que almejamos seguir e é, no entanto, cá dentro, perto de nós que a surpresa esboça imagens de pessoas boquiabertas.

Lusitânia Playboys

Dead Combo I
Fotografia: Rita Carmo

Dead Combo
Depois dos dois primeiros álbuns, Vol. I e II, o recheado imaginário de Pedro V. Gonçalves e Tó Trips volta-nos a presentear com novo disco, Lusitânia Playboys.

Putos a roubarem maçãs, primeiro avanço em vídeo possui o título e o conteúdo capaz de nos levar ao pomar, que numa forma cinéfila de imaginar, possuiria entre as suas cenas perseguições, por entre árvores de fruto, de zelosos agricultores a crianças, que nos seus tempos livres, se dedicassem a roubar maças, mais como manifesto de traquinice do que objecto de necessidade.
Mais do que palavras, usam música como forma de entregar argumentos para as mais variadas artes.

Dead Combo II
Fotografia: Rita Carmo